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Gramaticalização em perspectiva: cognição, textualidade e ensino
Maria Célia Hernandes (org.)
p.0
ISBN: 978-85-99829-41-7
Editora Paulistana
R$ 32,00
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Descrição

     O que faria o interesse pela gramaticalização ter crescido tanto pelo país? As lacunas de respostas percebidas em abordagens descritivas sincrônica, diacrônica e pancrônica, além das interfaces que foram se estabelecendo de modo interessante com a sociolinguística, com os gêneros discursivos, com a história social e com o ensino foram se sucedendo e produzindo resultados bastante interessantes.
     Esta obra, afinada com os avanços científicos, é fruto do IV Encontro Anual do Grupo de Pesquisa CNPq/USP “Mudança Gramatical do Português”, em cujos objetivos está a reunião de pesquisadores expoentes da área para debater algum ponto mais frágil ou lacunar da teoria sobre gramaticalização. Também é praxe, nas reuniões do grupo, momentos destinados a “provocações”, em que pesquisadores de áreas diversas apresentam reflexões sobre a proximidade entre sua área de estudo e a gramaticalização. Constitui-se, enfim, um espaço de debates e, portanto, de momentos propícios ao avanço científico na área da gramaticalização. Os textos que se apresentam neste volume equivalem às discussões e “provocações” ensaiadas pelos cientistas durante suas apresentações.
     Não haveria sentido em se fazer mais uma publicação sobre gramaticalização se não houvesse algo de novo a ser dito.  O propósito deste livro, portanto, é compartilhar, interagir e trazer à comunidade científica uma contribuição significativa e possivelmente norteadora dos próximos passos que possam ser dados no campo de investigação que envolve processos de gramaticalização.
     Este livro traz, em última instância, o que mais recentemente se discutiu e se produziu no bojo do Grupo de Pesquisa CNPq/USP “Mudança Gramatical do Português”, incorporando o diálogo travado com alguns outros grupos de pesquisa brasileiros, cada um em seu tom, ritmo, mas articulados numa mesma peça.
     O livro trata das relações entre cognição humana, textualidade e os processos de contínua evolução da gramática, numa concepção funcionalista da língua e da linguagem. Para tanto, reúne 12 textos de pesquisadores de universidades brasileiras que lidam com gêneros, textualidade e processos de gramaticalização. Cada um deles oferece contribuições significativas para se compreender o estágio dos questionamentos que se fazem sobre esses temas. Uma amostra dessas ideias pode ser apresentada nos seguintes excertos retirados de seus textos:

“a própria visão funcionalista do modelo de interação verbal insere um componente cognitivo-perceptivo forte no estabelecimento do circuito de comunicação, ou seja, origem da ativação da linguagem. Já a explicitação da gênese do enunciado, desde o planejamento, determina que ele nasce condicionado por esse componente, o que se evidencia na própria figura daqueles que entram no circuito de fala / linguagem.” (Maria Helena de Moura Neves)

“Cognição e mundo social encontram-se fundamentalmente imbricados e a Linguística Textual tem um compromisso com a elucidação dos processos de produção e de recepção textual que se desenvolvem no curso da vida social.” (Anna Christina Bentes)

“O indivíduo precisa experimentar eventos sociais e rotinizá-los para que sejam gramaticalizados. A gramaticalização seria, assim, um processo que tornaria o processo de comunicação mais econômico, contraditoriamente, ao seu caráter mais produtivo. Ser mais usado (produtivo) para ser mais desgastado e mais facilmente inferível pelos interlocutores. (Maria Célia Lima-Hernandes)

“Quando dominamos um gênero textual, não dominamos uma forma linguística e sim uma maneira de realizar linguisticamente objetivos específicos em situações sociais particulares.” (Denise Porto Cardoso)

 “Os limites e correspondências entre léxico e gramática remetem ainda a outro ponto de reflexão e de problematização na pesquisa funcionalista contemporânea – a relação, nem sempre bem resolvida, entre lexicalização e gramaticalização. Ao contrário do que poderíamos supor de forma preliminar, esses processos não configuram caminhos opostos.” (Mariângela Rios de Oliveira)

“Domínios cognitivos ou domínios conceptuais são representações mentais consequentes de nossa maneira de organizar cognitivamente o mundo. (...) O pensamento e sua organização estão diretamente associadas à estrutura de nosso corpo bem como às nossas restrições de percepção e de movimento no espaço. (Mário Eduardo Martelotta)

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