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Apresentação
Atualmente, o português é a terceira língua estrangeira com o maior número de falantes nativos (cerca de 330 mil) no Japão. A língua portuguesa é ensinada em dezenove universidades japonesas, em embaixadas, em centros culturais luso-brasileiros e em mais de uma centena de escolas, além de ser divulgada pela mídia em português: na TV, na internet, nos jornais e nas revistas. Este pequeno volume levanta algumas questões acerca da presença da língua portuguesa no Japão.
Resumo
Este livro reúne uma coletânea de textos sobre a língua portuguesa no Japão. A presença da língua portuguesa neste país está associada à presença econômica e cultural de Portugal e do Brasil no mundo, bem como à presença das comunidades luso-falantes no Japão. No entanto, estas comunidades enfrentam grandes desafios, sendo que o maior deles é compreender o estatuto de sua presença em outra terra.
No Japão, estuda-se a língua portuguesa por ser esta uma língua de cultura (literária, musical, cinematográfica), de trabalho (seu conhecimento permite o acesso a posições de trabalho em prefeituras, agências governamentais, organizações não-governamentais e em empresas nacionais e multinacionais), de relacionamentos familiares e/ou amorosos e, também, por ser uma língua de escolarização, pois há dezenas de escolas brasileiras.
Na capa deste livro, a foto de Roberto Maxwell retrata uma placa na Estação Central da cidade de Hamamatsu. A placa é bilíngue: japonês e português. De certa forma, esta placa revela como a presença de um contingente de milhares de luso-falantes impõe novos desafios à sociedade japonesa. O texto ‘não pode atravesar’, além da supressão do ‘s’ em atravessar, revela uma necessidade e, ao mesmo tempo, uma inadequação, ou seja, uma barreira cultural. A necessidade é alertar os luso-falantes sobre os perigos de uma travessia irregular em local perigoso. A inadequação, por sua vez, manifesta-se no registro da linguagem. Tanto em Portugal, como no Brasil, ou em qualquer outro país cuja língua oficial seja o português, há regras de etiqueta para os textos de placas de avisos públicos. No mundo lusófono, ‘proibido atravessar’ seria o texto universalmente aceito. No entanto, o autor da placa, conhecendo ou desconhecendo a forma padrão, transgride os limites do uso da língua(gem) portuguesa. Embora haja centenas de placas, cartazes e letreiros em Hamamatsu (uma cidade na qual a população lusófona ultrapassa a casa dos vinte mil habitantes), o ‘não pode atravesar’ da Estação Central é aquela que mais nos protege e, concomitantemente, nos recorda que estamos em terra estrangeira.
Os Organizadores
Gabriel Antunes de Araujo é professor do Programa de Pós-Graduação em Filologia e
Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo e foi professor da Universidade de
Estudos Estrangeiros de Quioto.
Currículo do Sistema Lattes (Gabriel Antunes de Araujo)
Pedro Aires é professor da Universidade de Estudos Estrangeiros de Quioto.